Dilma atua para pôr fim a crise com PMDB

A presidente Dilma Rousseff entrou em campo para acalmar o aliado PMDB.

Ela conversou com o vice-presidente, Michel Temer, e disse que não há perseguição do Palácio do Planalto a nenhum dirigente da legenda.

Ontem, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou que o governo precisa de “serenidade” e “maturidade” para enfrentar a crise com o PMDB.

O petista afastou o risco de rompimento, mas se esquivou de dizer se o partido aliado será mantido no comando do Dnocs e da Transpetro (subsidiária da Petrobras).

Também na sexta-feira, o “Diário Oficial da União” publicou a exoneração do diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), Elias Fernandes Neto. A vaga ficará, interinamente, com Ramon Flávio Gomes Rodrigues.

Na quinta-feira, Fernandes Neto anunciou sua saída após relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) apontar irregularidades em sua gestão.

A decisão foi tomada após conversa entre ele e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), seu padrinho político.

Apesar de oficialmente o ministério afirmar que Fernandes pediu sua demissão, a Folha apurou que a saída foi decidida pelo Planalto e ocorre após Alves desafiar o governo a demitir o apadrinhado da legenda.

Dilma elogia capacidade de Kassab de ‘agregar’

Durante cerimônia em comemoração ao 458º aniversário da cidade de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff (PT) citou a música “Sampa” e elogiou a capacidade do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de criar “vínculos fraternos” entre pessoas “mais diferenciadas”.

“Queria dirigir um cumprimento especial e um agradecimento a essa figura capaz de agregar, capaz de criar vínculos fraternos, republicanos com pessoas as mais diferenciadas, que é o prefeito Gilberto Kassab, a quem sou muito grata por esta honraria”, afirmou a presidente.

No evento, Kassab entregou a medalha 25 de Janeiro ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e à Dilma, homenageados deste ano.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também compareceu à cerimônia e recebeu a honraria referente ao ano passado, quando não pôde comparecer. O vice-presidente José Alencar, morto em março de 2011, foi homenageado naquele ano também.

“Eu queria iniciar saudando o presidente Fernando Henrique Cardoso, até porque espero que esse reconhecimento, que eu acho importante que nós tenhamos o hábito de fazer para os ex-presidentes da República, seja uma prática do Brasil democrático”, disse Dilma, no começo de seu discurso.

Kassab anunciou a medalha como uma honraria conferida a pessoas de destaque, “independente de cor partidária”.

Com Dilma a seu lado, Kassab elogiou a presidente e afirmou: “O seu sucesso, o sucesso do nosso governo, é o sucesso do Brasil”.

Ao receber a medalha, Dilma citou trecho da música “Sampa”, de Caetano Veloso: “Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João”. Segundo interpretação da presidente, essa “coisa” é a sensação de esperança de que o Brasil possa ser do “tamanho de São Paulo”.

Já Alckmin afirmou que a principal marca de São Paulo “talvez seja o DNA nacional”.

Em 2010, a medalha foi dada ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Naquele ano, Serra foi candidato à Presidência da República.

Dilma diz que seu governo é ‘passível de cometer falhas’

A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que seu governo é formado por homens e mulheres e portanto “passível de cometer falhas”.

A declaração ocorreu em mais uma defesa da presidente do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Ela disse que elogia o exame “por nenhum princípio de teimosia”, mas para defender um mecanismo que segundo ela democratizou a educação.

A fala foi na cerimônia de despedida de Fernando Haddad no Ministério da Educação que será substituído por Aloizio Mercadante.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a grande estrela do evento. Assim que chegou ao salão foi ovacionado ao som de “Lula Lá”, seu jingle de campanha.

A presidente fez questão de defender a presença do antecessor e padrinho dela e de Haddad para a disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Esta é a segunda vez que Lula retorna ao Palácio desde que deixou o poder em 1º de janeiro de 2011. O ex-presidente participou, em março do ano passado, do velório de seu vice-presidente José Alencar (1931-2011).

Dilma não poupou elogios a Lula. “É estranho que nesse país precisou de vir um retirante do Nordeste, parar lá em Santos depois chegar em São Paulo e ir a São Bernardo e que não tinha curso universitário para perceber que, para educar bem crianças, para educar bem jovens, você precisa de professores bem treinados.”

Eleições 2014: Kassab tenta blindar-se contra ataques para se eleger governador

Ao negociar com lados opostos e se equilibrar entre PT e PSDB na eleição paulistana, o prefeito Gilberto Kassab persegue um objetivo maior do que a influência sobre a eleição do sucessor: construir uma blindagem contra ataques na campanha e garantir a própria sobrevivência política a partir do ano que vem, quando estará sem mandato.

Todos os movimentos do fundador do PSD obedecem a uma meta declarada: eleger-se governador de São Paulo. Se possível já em 2014, quando o tucano Geraldo Alckmin deve disputar a reeleição.

O prefeito terminou o ano passado com a pior avaliação popular desde que iniciou o seu segundo mandato, em 2009. Para cada eleitor que considera sua gestão ótima ou boa (20%), outros dois a classificam como ruim ou péssima (40%), segundo a última pesquisa Datafolha.

A oito meses da eleição, ele sabe que não terá tempo hábil para reconstruir a imagem por conta própria, mesmo despejando dinheiro em propaganda ou em obras rápidas e de visibilidade, como o recapeamento de ruas.

 

Corrupção sem fim: Gabinete de filho de ministro emprega lobista de empresas

Um lobista de empreiteiras que obtiveram contratos com o Ministério da Integração Nacional trabalha no gabinete do filho do ministro Fernando Bezerra, o deputado Fernando Coelho (PSB-PE).

Emendas apresentadas pelo deputado ao Orçamento de 2011 asseguraram R$ 1,8 milhão em recursos da pasta para duas construtoras representadas pelo lobista, Aerolande Amós da Cruz.

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O chefe de gabinete do deputado nega que Cruz trabalhe no gabinete de Coelho Filho.

SUSPEITAS

O ministro Fernando Bezerra Coelho tem sido alvo nas últimas semanas de suspeitas de que teria beneficiado Pernambuco –Estado governado pelo seu partido e onde fica sua base política– com verbas para a prevenção de enchentes.

Ele também é suspeito de privilegiar seu filho, o deputado Coelho Filho, na liberação de verbas do ministério por meio de emendas parlamentares.

Coelho foi o único congressista que teve todo o dinheiro pedido empenhado (reservado no Orçamento para pagamento) pelo ministério (R$ 9,1 milhões), superando 219 colegas que também solicitaram recursos para obras da Integração.

Liberado em dezembro, o dinheiro solicitado pelo deputado iria para ações tocadas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba), uma empresa pública presidida pelo irmão do ministro, Clementino Coelho, que deixou o cargo após as acusações.

Oposição critica vetos de Dilma à lei que fixa gastos com saúde

O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), criticou nesta segunda-feira (16) os vetos da presidente Dilma à lei que define os gastos públicos em saúde e os percentuais mínimos que devem ser investidos no setor pela União, Estados e municípios.

Com 15 vetos, Dilma sancionou hoje a regulamentação da emenda 29. Nogueira lamentou especialmente o veto ao dispositivo que determinava a separação dos valores a serem aplicados na saúde em contas específicas –procedimento que facilitaria a fiscalização da sua efetiva aplicação, com total transparência da gestão desses recursos.

Dilma sanciona lei que fixa gastos obrigatórios com a saúde

Outro artigo vetado pela presidente abre a possibilidade da União aplicar menos dinheiro na saúde. “Ou seja: menos dinheiro para hospitais, remédios e material hospitalar, por exemplo. Mais uma vez, o governo federal foge de suas responsabilidades e joga o peso das contas da saúde nas costas de Estados e municípios”, acrescentou o líder tucano.

Dilma também vetou o artigo que prevê “créditos adicionais” para a saúde na hipótese de revisão do valor nominal do PIB (Produto Interno Bruto).

“O descompromisso e a insensibilidade do atual governo com a saúde pública brasileira levou a presidente da República a vetar estes e outros dispositivos importantes. Por essa razão, vamos solicitar que os vetos sejam analisados com urgência, para que possamos restabelecer a garantia da aplicação da totalidade dos recursos destinados à saúde pública, em benefício dos cidadãos brasileiros.”

Segundo Nogueira, o PSDB “fará gestão junto ao presidente do Congresso Nacional para a votação desses vetos já no início do ano legislativo”.

Corrupção sem fim: Filho de ministro da Integração destina verba a aliados

Pelo menos R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Fernando Coelho Filho (PSB-PE) beneficiaram três empreiteiras ligadas a filiados ao PSB e a ex-assessores do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), pai do congressista.

O valor foi destinado nos últimos dois anos e representa 14% das emendas apresentadas pelo deputado ao ministério nesse período.

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As empresas contratadas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), estatal vinculada ao ministério, ficam em Petrolina, base eleitoral dos Coelho.

O ministro negou que tenha havido favorecimento às empresas contratadas com recursos de emendas do filho.

O ministério diz que a União não tem como intervir na competência de Estados e municípios no processo de contratação da empresas.

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