Planalto e Bandeirantes entram na disputa eleitoral de São Paulo

Em campos opostos na disputa pela Prefeitura de São Paulo, os palácios do Planalto e dos Bandeirantes já acionam suas engrenagens para tentar reforçar o arco de alianças de seus candidatos.

A entrada na disputa do tucano José Serra, apoiado pelo governo do Estado, levou o PT e o governo federal a se moverem para evitar o isolamento da candidatura de Fernando Haddad (PT).

Isso inclui pressão sobre a presidente Dilma Rousseff para que ela atenda PR e PDT na Esplanada dos Ministérios.

Do lado do PSDB, a entrada do ex-governador José Serra abre a perspectiva de atrair mais interessados na aliança.

PSB e PC do B, por exemplo, são aliados do governo de Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab em São Paulo.

Farc agradece e aceita apoio de Dilma Rousseff; veja

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram neste domingo o fim da prática de sequestros e a libertação de maneira conjunta dos dez militares e policiais que seguem em seu poder como reféns.

Os anúncios aparecem em uma declaração pública que o Secretariado do Estado-Maior Central do grupo rebelde divulgou nas “montanhas da Colômbia” e divulgou em seu site.

“Anunciamos que a partir da data banimos a prática deles (sequestros) em nossa atuação revolucionária”, informaram as Farc, que disseram que a decisão obriga a guerrilha a derrogar uma “lei” do grupo rebelde de 2000 sobre seu financiamento com o sequestro de civis.

Serra desiste da Presidência para disputar prefeitura, diz Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), disse neste sábado (25) que o tucano José Serra tem um projeto de cinco anos com a cidade de São Paulo. Ao dizer isso, Kassab indica que Serra desistiu de se candidatar à Presidência da República. A referência dos cinco anos de trabalho pela cidade inclui a candidatura de Serra neste ano e mais quatro anos como prefeito.

“Essa questão [de se candidatar à Presidência] está encerrada na vida do Serra. Ele abandona esse projeto. Ele deixou isso muito claro. Ele tinha um grande projeto, aliás legítimo, de ser presidente. Caso fosse candidato de novo, se fosse eleito, seria um grande presidente, mas ele entendeu que deveria abandonar esse projeto. E ele abandonou”, afirmou Kassab em uma visita a uma praça da Freguesia do Ó, zona norte da capital.

Segundo o fundador do PSD, a partir de agora a vida pública do tucano está toda voltada para a cidade de São Paulo. “As suas preocupações, seus projetos, seus estudos [estão voltadas para São Paulo]. É por isso que eu digo que a cidade ganha com um grande pré-candidato, depois um grande candidato e prefeito. Os próximos cinco anos dele serão voltados para a cidade.”

Kassab disse que Serra definiu sua posição ontem. Depois disso, os dois conversaram pessoalmente sobre uma aliança e apoio entre o PSDB e PSD.

“Eu o apoio porque ele é ótimo para a cidade. Ele é meu candidato, terá meu voto. O Serra, por sua história, não precisa de nenhuma condição”, ressaltou Kassab.

Perguntado se a aproximação do PSD com o PT e seu pré-candidato, Fernando Haddad, teria sido o motivo da decisão de Serra, o prefeito disse que não. “Ele não demorou a se posicionar. Cada partido tem o seu tempo. As convenções são em junho. O Serra não demorou, ele definiu dentro dos prazos. Não tem ligação [com as conversas do PSD com o PT].”

Sobre a possibilidade de Serra ter em sua base o PSD e o antigo partido de Kassab, o DEM, o prefeito não vê problema. “O Serra tem experiência na vida pública, é um conciliador. Todos os partidos que entendem que ele é o melhor para a cidade de São Paulo saberão compreender e apresentar sua visão para que seja um bom candidato”, afirmou.

Sobre uma possível chapa “puro-sangue” do PSDB, Kassab disse que é possível, mas diz que não acredita que isso ocorra. “Uma aliança ampla como está sendo feita pressupõe uma chapa com candidatos de outros partidos.”

Avessa a contatos políticos, Dilma fez só 11 reuniões com aliados

Em um ano e dois meses de mandato, a presidente Dilma Rousseff ganhou fama de ser uma governante avessa aos contatos políticos tradicionais de Brasília. Sua agenda oficial corrobora a tese.

Até agora, ela realizou apenas 11 encontros políticos registrados em agenda. Segundo registros oficiais, só 2 dos 594 congressistas foram recebidos individualmente, o deputado João Paulo e o senador Humberto Costa, do PT pernambucano.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também teve privilégio na agenda –quatro reuniões.

Os outros encontros ocorreram com bancadas e, na maioria, pautados pela crise que deu início a trocas de ministros por suspeitas de corrupção, a partir de maio. Foram três reuniões com líderes da base no Congresso e cinco com as bancadas de PT, PMDB, PTB, PR e PV.

Estão fora do cômputo as reuniões de coordenação no Planalto e as do Conselho Político, que incluem líderes dos partidos aliados e ministros.

Já o ex-presidente Lula, em seus primeiros 14 meses de governo, realizou 27 encontros políticos oficiais.

O tratamento distante dispensado por Dilma incomoda grande parte dos partidos aliados, que hoje somam 16.

Na opinião do dirigente de um desses partidos, a falta de tato político dela pode resultar, numa eventual crise, no abandono das legendas ao governo exatamente por não ter feito “um colchão” para protegê-la.

As reclamações já chegaram ao ouvido da presidente. Na última reunião do Conselho Político, dia 14, Dilma prometeu se reunir a partir de março com as bancadas, em grupos de deputados e senadores menores para poder fazer uma aproximação.

Militares criticam opiniões de ministras

Em sinalização de como os militares da reserva estão digerindo a instalação da Comissão da Verdade, presidentes dos três clubes militares publicaram um manifesto censurando a presidente Dilma Rousseff e atacaram as ministras dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e da Secretaria das Mulheres, Eleonora Menicucci, por supostas críticas dirigidas à caserna.

A carta, embora assinada por oficiais da reserva, traduz a insatisfação de militares da ativa, que são proibidos de se manifestarem. Eles se queixam de Maria do Rosário por supostamente estar questionando a Lei da Anistia e da titular da pasta das mulheres por “críticas exacerbadas aos governos militares”.

Os militares reclamam que Dilma, como comandante em chefe das Forças Armadas, deveria ter repreendido suas auxiliares, e não ter aplaudido o discurso de posse da nova ministra das mulheres, endossando suas palavras supostamente contra a categoria. “Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de auxiliares da Presidente sem que ela, como a mandatária maior da nação, venha a público expressar desacordo”, diz a nota.

Ao se queixarem da postura da ministra Maria do Rosário, os militares citam que ela deu declarações na qual “mais uma vez asseverava a possibilidade de as partes que se considerassem ofendidas por fatos ocorridos nos governos militares pudessem ingressar com ações na Justiça, buscando a responsabilização criminal de agentes repressores, à semelhança ao que ocorre em países vizinhos”.

Na nota, os presidentes dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica reclamam de Maria do Rosário alegando que “mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF”, que rejeitou a revisão da Lei. “A Presidente não veio a público para contradizer a subordinada”, criticaram.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Lei da Copa não prevê meia-entrada de estudantes

O relator da Lei Geral da Copa, deputado Vicente Cândido (PT-SP), apresentou novo texto para garantir que estudantes não tenham direito à meia-entrada no evento.

O impasse surgiu anteontem, quando uma comissão do Senado alterou o projeto de lei do Estatuto da Juventude, prevendo o desconto.

Com isso, Cândido fez um novo relatório, suspendendo qualquer lei que dê descontos para os jogos de 2014.

Ao mesmo tempo, o petista atendeu a pedido de Dilma Rousseff e previu que idosos terão a meia-entrada.

Aos estudantes restará o benefício de comprar ingressos da chamada categoria 4, por cerca de US$ 25 (R$ 43). Também terão direito beneficiários do Bolsa Família e idosos que não terão desconto nos bilhetes dessa categoria.

No texto, Vicente Cândido manteve a redação que prevê que o governo pague os prejuízos da Fifa em casos de “ação e omissão” da União. A entidade pressiona por um texto mais abrangente, que garanta o ressarcimento em casos de desastres naturais.

Outra polêmica é a liberação de bebidas alcoólicas, contestada por deputados. Pelo texto, só será permitido beber cerveja nos jogos da Copa, em copo plástico.

Os impasses da lei geral podem atrapalhar o plano do governo de aprovar o texto até março, quando Dilma deve se encontrar com o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

O projeto deverá ser apreciado no fim do mês na comissão especial da Câmara. Depois irá ao plenário antes de seguir para o Senado.

Sem empregos e educação, milhões ficam à margem de crescimento

Ao chegar de carro por uma estrada de terra arenosa, uma placa dá as boas-vindas a Assunção do Piauí, “a capital do feijão”. Mas as letras desbotadas, quase apagadas, deixam claro que a principal atividade econômica local já viu melhores dias.

Na pequena cidade, a 270 km de Teresina, as colheitas fracas estão fazendo muitos desistirem de plantar feijão.

“Aqui é assim, a gente só trabalha no escuro. Num ano dá e no outro não dá”, diz a dona de casa Francisca Pereira Moreno, mãe de cinco filhos.

Depois de conversar com alguns moradores de Assunção, perguntar onde cada um trabalha parece perder sentido. Os principais empregos da cidade são na prefeitura local, mas para adultos como Francisca, que não sabe ler nem escrever, a única opção está na roça ou nos serviços domésticos. Sem alternativas, a maioria sobrevive do Bolsa Família.

“Tem que ter o Bolsa Família. Porque a renda aqui do feijão não está dando dinheiro. Dá R$ 60, R$ 70″, fiz Francisca.

A cidade é um dos retratos de um Brasil que ficou praticamente à margem do crescimento econômico nacional registrado nos últimos anos e que tem colocado o país próximo de economias consideradas de primeiro mundo como o Reino Unido.

Apesar do recuo constante da pobreza desde o início do Plano Real, em 1994, e da emergência da classe C, na última década, o país ainda tem focos de pobreza extrema que se caracterizam por baixo rendimento domiciliar, acesso limitado a serviços como saúde e educação e poucas perspectivas de trabalho para os moradores locais.

OPORTUNIDADES INSUFICIENTES

“Com o crescimento e a geração de empregos, uma parte da população saiu da pobreza extrema. [Mas] as oportunidades não foram suficientes para todos –sobraram os com menos condições de aproveitar, como os que não tinham vínculos com o mercado de trabalho ou acesso à Previdência e a assistência social”, explicou Rafael Osório, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

Segundo o Censo 2010, em média 8,5% da população brasileira ainda vive com renda per capita mensal de até R$ 70. Isso equivale a cerca de 16,2 milhões de pessoas –praticamente a população do Estado do Rio de Janeiro.

Com 7,5 mil habitantes, Assunção do Piauí, visitada pela BBC Brasil em janeiro, teve em 2010 o 10º pior rendimento per capita domiciliar do país – uma média de R$ 137, ante R$ 1.180 de São Paulo.

A taxa de analfabetismo é de quase 40% entre pessoas com 15 anos ou mais. A cidade tem quase 1.500 famílias beneficiárias do Bolsa Família.

“Muitos ficam na fila de espera [do programa] porque a Assunção já extrapolou a cota que o Ministério do Desenvolvimento estipula para cada cidade”, diz a assistente social Ana Alaídes Soares Câmara, que trabalha no Centro de Referência de Assistência Social da cidade.

‘O TERÇO MAIS DIFÍCIL’

Desde o Plano Real, a pobreza caiu 67% no Brasil, algo inédito na série estatística, disse à BBC Brasil o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. “Falta o último terço, que é o mais difícil da jornada.”

Para Neri, é possível que o número de extremamente pobres seja até menor do que o estimado pelo Censo, se for levada em conta a renda obtida em transações não monetárias, como trocas e agricultura familiar.

“Pelo Pnad [Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, também do IBGE], essas pessoas seriam 5,5% da população”, disse o pesquisador da FGV.

A incerteza a respeito do tamanho dessa população revela, na verdade, uma boa notícia: como o grupo de extremamente pobres está cada vez menor, eles ficam pouco representados na amostra geral dos brasileiros, explicou Rafael Osório, do Ipea.

“As pessoas extremamente pobres são mais difíceis de se investigar. Algumas sequer são achadas, não interagem com o Estado, não têm documentos, e o acesso a elas é complicado”, disse.

Além disso, a pobreza extrema não é apenas uma questão de renda: diz respeito também à falta de acesso a serviços básicos, como saneamento, moradia e educação de qualidade, e ao isolamento em relação ao mercado de trabalho.

FALTAM ATIVIDADES ECONÔMICAS

Mas um relatório do Ipea tenta traçar um perfil desse Brasil que demora a crescer: em 2009, 41,8% das famílias extremamente pobres eram formadas por casais com uma a três crianças; 29% eram agricultores e 34% eram inativos (não trabalhavam nem procuravam emprego).

Dados do Censo 2010 indicam que muitos desses bolsões extremamente pobres se concentram em cidades de porte mediano, de entre 10 mil e 50 mil habitantes.

“São cidades onde faltam atividades econômicas”, explicou Osório. “Muitas têm poucos atrativos para empresas e dependem cada vez mais de políticas sociais, e algumas têm um vácuo generacional [sua população economicamente ativa migra em busca de empregos].”

Mas o pesquisador ressalva que não se trata de uma população fixa e estagnada: “Uma parcela tem rendimento incerto e transita entre uma camada de renda e outra. É o caso, por exemplo, de um guardador de carro –se ele ficar doente, perde a renda [e passa a figurar entre os extremamente pobres]“.

ESTRATÉGIAS

Como, então, combater essa pobreza extrema?

A presidente Dilma Rousseff lançou como uma das prioridades de seu governo o programa Brasil Sem Miséria, que tem a ambiciosa meta de erradicar a pobreza extrema até 2014 e que foca as pessoas com renda per capita mensal de até R$ 70.

Iniciado em junho do ano passado, o plano contém ações que complementam o Bolsa Família, com programas para fomentar o emprego, a capacitação profissional e atividades econômicas locais, bem como o aumento da oferta de serviços públicos como saúde, educação e saneamento.

Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil elogiam o foco estabelecido pelo programa, mas o projeto tem óbvias dificuldades em levar serviços, renda e oportunidades para as pessoas mais excluídas.

“É preciso localizar [as populações empobrecidas], levar serviços públicos, com agentes sociais. É algo mais caro, mais artesanal”, afirmou Neri, da FGV.

Para Osório, uma alternativa seria aumentar os valores pagos pelo Bolsa Família. “A maior parte dos extremamente pobres já faz parte do programa. Se aumentarem os valores, daremos um baque na pobreza.”

Mas os pesquisadores concordam que o grande estímulo para a saída da pobreza é a geração de empregos – e o desafio do Brasil é conseguir gerar vagas em áreas mais pobres justamente num momento de desaceleração econômica.

“Gerar empregos depende, em última instância, da economia”, disse Osório. “E o cenário é adverso, apesar de ser o melhor caminho. Isso pode não ocorrer com a mesma intensidade do que nos anos de crescimento.”