Serra acusa Dilma de repetir contra ele o caso Lurian

¤ ‘Usar filho em eleição só o Collor tinha feito contra o Lula’

¤ ‘A turma da Dilma faz a  mesma coisa, com a minha  filha’

José Serra comparou Dilma Rousseff a Fernando Collor. Acusou-a de usar contra ele  “o mesmo jogo sujo” que Collor utilizara contra Lula na sucessão de 1989.

Naquele ano, Collor levara à sua propaganda de TV depoimento de Miriam Cordeiro. Ex-namorada de Lula, ela o acusara de ter sugerido que fizesse um aborto.

A passagem desceu à crônica das campanhas como “Caso Lurian”, nome da filha que resultara do relacionamento de Lula com Miriam.

Serra ressucitou o episódio numa entrevista concedida na noite passada ao ‘Jornal da Globo’.

“O Collor utilizou uma filha do Lula, […] para ganhar em 89. E o Collor ganhou. Agora, a turma da Dilma está fazendo a mesma coisa, pegando minha filha”.

Serra estava abespinhado com uma notícia que ganhara a web: os dados ficais de Veronica Serra, sua filha, também foram varejados na Receita Federal.

A exemplo do que ocorrera com outros quatro personagens ligados a ele e ao PSDB, o Imposto de Renda da filha fora acessado na posto do fisco em Mauá (SP).

“A Dilma está repetindo aquilo que o Collor fez. Agora, o Collor está do lado dela. Quem sabe, talvez, ele tenha transferido a tecnologia”.

As informações fiscais de Veronica Serra foram acessadas, em setemro de 2009, pela analista tributária Lúcia Fátima Milan.

Alertado para o fato de que a Receita apressara-se em informar que o acesso foi feito mediante pedido formal de sua própria filha, Serra reagiu assim:

“É mentira, mentira descarada. Esse pessoal mente, eles são profissionais da mentira. Mentem e dizem qualquer coisa. Tem que provar isso”.

Serra engatou o caso de sua filha numa pergunta que versava sobre outro tema: o mensalão do DEM de Brasília.

“Já que você tocou no assunto criminoso, deixa eu tocar noutro assunto”, disse. E pôs-se a discorrer sobre os malfeitos do fisco.

Esgotado o tema, Serra foi reinquirido: E sobre o mensalão do DEM?. Fugiu novamente.

“[…] Criminosos são esses que estão usando a campanha, estão usando questões, atacando família, para efeito de colher dividendos eleitorais. Inútil, inútil…”

Insistiu-se: E o mensalão do DEM, a pergunta que eu fiz para o senhor? Só então, na terceira tentativa, Serra encarou o assunto incômodo.

Começou mal: “Olha, o mensalão do DEM teve menos volume […] do que o mensalão do PT, menos gente”.

Soou como se considerasse que a gravidade de um crime pudesse ser medida pela quantidade de gente que o pratica.

 Prosseguiu: “Teve uma diferença: o pessoal do mensalão foi expulso. […] Foram todos mandados embora do DEM…”

 “…No caso do PT, continuam mandando, como o José Dirceu. É um dos comandantes da campanha da Dilma, cogitado inclusive para fazer parte do governo dela…”

 Nesse ponto, foi poupado pelos entrevistadores, que se abstiveram de recordar o mensalão do PSDB de Minas. Teria dificuldades para explicar-se.

 Acusado pelo Ministério Público, Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e ex-presidente do PSDB, é, hoje, réu no Supremo. Tão réu quanto José Dirceu.

 E não há vestígio de providência que tenha sido adotada pelo tucanato para excluir Azeredo de seus quadros.

 Antes, no início da entrevista, Serra havia sido questionado sobre tema mais atual: a hesitação dos opositores de Lula e dele próprio de exercitar a oposição.

 O senhor chegou a colocar [na propaganda eleitoral] uma foto sua ao lado do presidente Lula. Qual é, afinal, a bandeira da oposição?

 E Serra: “Não, não teve nada a ver com coisa de ser oposição. O que dizia lá [no comercial] é que o Lula tinha uma história como eu, como outros…”

 “…E que a Dilma não tinha essa história, era uma pessoa desconhecida. Não tinha disputado eleição…”

 “…[…] Não era experimentada na política como é o Lula, como sou eu. Foi só isso, isso está longe de ser qualquer espécie de agrado, é apenas uma constatação”.

 Constatação tola, diga-se. Ora, se era para realçar a experiência, Serra poderia ter levado ao vídeo um personagem que lhe é mais familiar: FHC.

 Como Lula, FHC exerceu dois mandatos presidenciais e passou pelo Congresso. Traz na biografia “experiências” que Lula não teve: foi chanceler e ministro da Fazenda.

 Ao optar por associar sua imagem à de Lula, preterindo FHC, Serra tentou dividir a “garupa” de Lula com Dilma. O resto é desconversa. Lorota de pseudo-oposicionista.

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