Vídeo traz indícios de novo ‘mensalão’, agora no MS

O vídeo acima, levado ao Youtube nesta terça (21), aponta para a existência de um novo mensalão, dessa vez no Mato Grosso do Sul. A peça foi gravada em 12 de junho pelo secretário de Governo do município de Dourados, Eleandro Passaia.

Ele usou uma câmera escondida. Em primeiro plano, aparece nas imagens o deputado estadual Ary Rigo (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Sem saber que estava sendo filmado, o tucano Rigo discorre sobre um esquema de rateio de verbas. Conta que parte do dinheiro repassado pelo governo estadual para o custeio do legislativo era “devolvido” ao governador André Puccinelli (PMDB).

Há mais: repassava dinheiro também para deputados. Há pior: em troca de proteção, distribuía mesadas a autoridades do Judiciário e do Ministério Público do Estado. A certa altura, o deputado tucano reclama de uma mudança que fez minguar o caixa disponível para a partilha.

“Pra você ter ideia, nós devolvíamos R$ 2 milhões em dinheiro pro André [Puccinelli], R$ 900 [mil] nós dávamos pros desembargadores do Tribunal de Jutiça e R$ 300 [mil] pro Ministério Público. Cortou tudo. Nós vamos devolver R$ 6 milhões pro governo”.

O aumento da “devolução” fez minguar o montante supostamente destinado ao mensalão. Ouça-se Ary Rigo: “Lá na Assembléia, nenhum deputado ganhava menos de R$ 120 mil. Agora, os deputados vão ter que se contentar com R$ 42 [mil]”.

Há na Assembléia de Mato Grosso do Sul 24 deputados, dos quais 20 integram a bancada que dá suporte à gestão de Puccinelli. Em notícia veiculada na edição da Folha desta quarta (22), os repórteres Sílvia Frias e Graciliano Rocha contam o seguinte:

1.  Eleandro Passaia, o secretário de Dourados que gravou, na surdina, o deputado Ary Rigo, agia sob orientação da Polícia Federal.

2. O vídeo exposto lá no alto é apenas um pedaço da cinemateca. Além de reuniões com políticos, gravou-se o pagamento de propina ao prefeito de Dourados.

3. O prefeito se chama Ari Artuzi. Antes das investigações, estava filiado ao PDT. Foi expulso.

4. As fitas do secretário Passaia deram origem à Operação Uragano. Foram presos, em 1º de setembro, o prefeito, secretários e vereadores de Dourados.

Repare que, no início da gravação lá do alto, Rigo menciona uma reunião que manteve com um assessor de um certo “Londres”.

Vem a ser o deputado estadual Londres Machado (PR), ex-presidente da Assembléia. Rigo conta que também participou do encontro um personagem chamado “Claudionor”. Seria o desembargador Claudionor Abss Duarte, do Tribunal de Justiça do Estado.

Pois bem. Ary Rigo relata que, durante a reunião, foi informado, pelo telefone, sobre um “zumzum” de que “o Artuzi vai ser preso”. Referia-se a Ari Artuzi, o prefeito de Dourados. Seria detido em junho, antes da deflagração da operação da PF.

“Há meia hora atrás ia [ser preso], agora não vai mais”, diz o deputado Rigo no vídeo. Ele repete que o desembargador Claudionor tomava parte da reunião.

Noutro trecho da conversa, Ary Rigo queixa-se do prefeito Artuzi, que não lhe seria grato pelo esforço que empreendera para socorrê-lo.

“O André [Puccinelli] tá puto com ele. Sabe por quê? Por que ele dizia que eu e o André queríamos foder ele, quando nós tiramos ele da cadeia pô. Ah, para com isso pô. Você dá R$ 300 mil por mês no Ministério Público, seguramos tudo. […] E ele dizendo que eu e o André estávamos fodendo ele. Você acha que é fácil?”

Ouvido sobre a encrenca, nesta terça (21), o governador Puccinelli, que concorre à reeleição, deu de ombros: “Não vi [o vídeo] nem estou preocupado. Pergunte para o Rigo”.

Ary Rigo, o deputado que foi gravado sem saber, falou por meio do advogado, Carlos Marques. Disse que a distribuição de verbas mencionada por seu cliente na conversa de junho não se refere a propina. Seriam repasses institucionais da Assembléia.

“Eles, da Assembléia, estão economizando e repassando para o governo. Os repasses eram institucionais”, disse o advogado.

E quanto à mesada dos deputados? “Ele se referiu a quanto custa o gabinete do deputado, salário, verbas de gabinete, verba indenizatória. Ele não sacava o dinheiro e dava. Não existe isso”.

Em nota, o Tribunal de Justiça afirmou que os repasses recebidos do governo do Estado são previstos em lei, contabilizados e publicados no ‘Diário da Justiça’ e no Portal da Transparência da instituição.

No texto, assinado pelo desembargador Paulo Alfeu Puccinelli, o tribunal informa qie “interpelará judicialmente o denunciante, para que a verdade seja esclarecida com transparência e rapidez”.

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