No Rio, Obama mistura diplomacia, futebol e música

Presidente de um país que costuma ser acusado de bocejar para o mundo, Barack Obama desdobrou-se, no Rio, para mostrar que não é indiferente ao Brasil.

Abriu o domingo com uma visita à favela Cidade de Deus, cuja rotina infernal ficou mundialmente conhecida com o filme Fernando Meirelles, em 2002.

Levou às ruelas supostamente transformadas pela “polícia pacificadora” do governo fluminense um comboio de 20 carros.

O automóvel blindado de Obama estacionou dentro de uma escola. Ao lado da mulher e das duas filhas, ele assistiu a apresentações de percursão e capoeira.

A visita consumiu-lhe escassos 30 minutos. Demonstrou sua falta de intimidade com a bola numa troca de passes com alunos de uma escolinha de futebol.

Antes de ir embora, quebrou o protocolo. Percorreu poucos metros de asfalto a pé. Distribuiu acenos. E a platéia: “Obama, Obama, Obama…”

Rodeado do aparato de segurança que o persegue, Obama rumou para o Theatro Municipal do Rio. Discursou para uma audiência de cerca de 2.000 pessoas.

O discurso deveria ter sido ao ar livre, na Cinelândia. Mas foi transferido para o ambiente fechado na véspera de sua chegada.

Instalaram-se na entrada equipamentos de revista semelhantes aos que infernizam a vida dos passageiros nos aeroportos. Com o acréscimo de cães farejadores.

Quem ultrapassou a barreira foi brindado com um discurso afável. Obama exalou simpatia. Chegou mesmo a se aventurar no português.

Abriu sua fala com um “alô” à “Cidade Maravilhosa” e a “todo o povo brasileiro”. Depois, de volta à língua inglesa, chamou o Brasil de “exemplo de democracia”.

Um “exemplo”, segundo ele, útil para o mundo árabe e o Oriente Médio, sacudido por revoltas populares que acossam ditadores.

Disse meia dúzia de palavras sobre a Líbia, desde a véspera sob ataque de uma coalisão militar que inclui os EUA.

Em nova evidência de que não veio a esta terra de palmeiras a passeio, Obama repetiu pedaços do discurso que dirigira a empresários, em Brasília.

Declarou que deseja estabelecer com o Brasil uma “parceria igualitária”. Mencionou as obras da Copa e da Olimpíada, cobiçadas por empresas americanas.

A certa altura repisou a tese segundo a qual o Brasil deixou de ser o “país do futuro”. Tornou-se “economia poderosa”. Uma “potência“, exagerou. O futuro, disse ele, já chegou.

Famoso pela palavra fácil, Obama soou como se houvesse feito o dever de casa. Citou o clássico futebolístico do domingo: Vasco X Botafogo.

Um pedaço da platéia, decerto flamenguista, esboçou uma vaia. Evidência, disse o orador, de que o futebol é, no Brasil, assunto muito sério.

Em meio à profusão de menções elogiosas ao Brasil, Obama evocou Jorge Ben Jor:

“Como disse o cantor, o Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Quem ouve Obama e lembra do antecessor George Bush é tentado a concluir que os EUA evoluíram. Trocaram o tosco pelo garoto propaganda.

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