Até Paulinho, ‘guri’ da Força, pede escalpo de Palocci

O raciocínio nasceu na boca de um personagem literário: “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

Nelson Rodrigues atualizou Dostoievski. Numa de suas peças, em meio a uma suruba federal, alguém grita: “Se Vinicius de Moraes existe, tudo é permitido”.

A  encrenca da Casa Civil pede nova versão. Ninguém disse ainda, mas já  poderia ter sido declarado: Se Palocci continua ministro, tudo é permitido.

Tome-se  o exemplo de Paulo Pereira da Silva. Filiado ao governista PDT e presidente da oficialista Força Sindical, o deputado pediu a cabeça de Palocci.

Paulinho manifestou-se por meio de uma nota da casa sindical que dirige.

Escreveu:

“As  tentativas de esclarecimento do ministro da Casa Civil, apenas para  cumprir formalidades, não foram suficientes para arrefecer o desgaste a  que vem sendo submetido o braço direito da atual presidenta”.

Acrecentou:

 “O povo brasileiro está vendo com ceticismo a defesa apresentada para tais denúncias, e anseia por uma resposta convincente e verdadeira…”

“…As  evidências de ter praticado atitudes não republicanas que pairam sobre o ministro fazem com que sua credibilidade vá, a cada dia, se deteriorando. O imediato afastamento do ministro só trará benefícios para o país”.

A entrada em cena do “guri” Paulinho, personagem de inquéritos e processos, injeta comédia no drama.

Quem  diria! Sob Dilma, até Paulinho sente-se autorizado a posar de herói da resistência ética. No Brasil, veja você, a hipocrisia também é uma forma  de patriotismo.

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