‘Nós somos contra censura’, afirma presidente do PT

Rui Falcão, o presidente do PT, levou à web um vídeo no qual faz um “balanço” do Congresso Nacional do partido, realizado no fim de semana.

A peça tem 1min39s. Após rápida digressão sobre alterações feitas no estatuto da legenda, Falcão celebra a “decisão do PT de fazer uma agenda própria.”

“Uma agenda muito vinculada aos movimentos sociais”, ele explicou, “que tem como um dos pontos de campanha a democratização dos meios de comunicação.”

Na sequência, Falcão esforça-se para explicar, sem muito êxito, o que o petismo deseja reformar nos meios de comunicação.

Começa assim: “Nós somos contra a censura, a favor da liberdade de expressão e de pensamento, do direito de opinião.” Bom, muito bom, ótimo.

Prossegue: “Mas também queremos que mais pessoas tenham acesso à informação.” Nesse ponto, fica-se com a impressão de que o PT elegeu o alvo errado.

Se o partido deseja que “mais pessoas tenham acesso à informação”, talvez devesse inaugurar uma campanha pela democratização da educação.

Falcão adjetiva a informação que o PT considera ideal:

“Uma informação plural, com múltiplas fontes e que também permita o acesso a toda a sociedade à possibilidade de se informar e de ser informada…”

“…Sem censura, como eu disse. E sem controle de conteúdo”. Hummm. Sim, muito bem. E daí?

No Brasil, excetuando-se talvez os jornais de sindicatos, o grosso dos veículos de informação serve-se de múltiplas fontes.

Quando a notícia envolve malfeitos, algumas dessas fontes, por vezes do próprio PT, são ouvidas na condição de “outro lado”. Não fala quem não quer.

Quanto à sociedade, sempre que se julgar desatendida no seu direito de “ser informada”, pode acionar o controle remoto, virar a página ou trocar de jornal.

De resto, Falcão diz que o PT quer dar “condições para que as matérias sejam produzidas livremente pelos jornalistas.” Como nos “países da Europa e EUA.”

O signatário do blog, como seus colegas de ofício, considera-se um profissional à frente do tempo do PT.

O repórter escreve “livremente” desde a restauração da democracia no Brasil. Sabe que a liberdade sujeita-o a responsabilidades.

Censura? Importa pouco saber se o PT é contra ou a favor. A Constituição proíbe.

Injúrias, calúnias e difamações? A legislação brasileira oferece os antídotos. Servem a qualquer ofendido –petistas ou não.

Assim, fica boiando na atmosfera uma roliça interrogação: afinal, o que deseja o PT?

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