Na TV Dilma cita Lula, mas ensaia ‘independência’

Num excepcionalmente longo e superproduzido pronunciamento em rede nacional de rádio e TV por conta do 7 de Setembro, a presidente Dilma Rousseff fez uma inusual citação nominal ao presidente antecessor, mas dedicou a maior parte dos quase 11 minutos a dar seu próprio “grito de independência”.

Com um visual que remetia imediatamente à fase “Celso Kamura” da campanha, Dilma apareceu sorridente, em tons pastel e maquiada numa ensolarada sala do Palácio da Alvorada. O programa foi produzido pela Propeg, agência de publicidade baiana que é uma das três detentoras da conta da Presidência.

Mas todos os detalhes da produção tinham a cara do marqueteiro da campanha, João Santana, que, segundo o blog apurou, supervisionou o texto e os detalhes da gravação.

Em letras brancas garrafais, palavras-slogans como “segurança”, “qualificação profissional” e “208 escolas” ajudavam a pontuar a fala de Dilma, que, embora tenha feito a mesura a Lula, fez questão de dar ênfase especial a programas de sua própria gestão.

A tônica do discurso foi descolar o Brasil da crise econômica mundial, que, segundo Dilma, é “mais complexa” que a de 2008. Ela louvou a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, disse que o país tem reservas sólidas e afirmou que não deixará que a “concorrência desleal” de produtos estrangeiros prejudique a indústria nacional.

Na transição para a parte do discurso voltada para os programas sociais veio a menção ao “governo Lula” –numa clara transgressão à regra de impessoalidade na publicidade institucional, da qual as cadeias nacionais são uma das formas.

Mas, depois, foi Dilma 100% dedicada a “bombar” as novas marcas de seu governo, ao lado das já conhecidas, como ProUni, Minha Casa Minha Vida e PAC.

Ela apresentou com detalhes programas como o Brasil Maior, de política industrial, Pronatec (o “ProUni do ensino médio”), e Brasil sem Miséria, uma espécie de fase 2 do Bolsa Família e que ela pretende transformar em sua marca de gestão.

Até programas que ainda não foram lançados, como o plano de combate ao crack, ganharam longos minutos no pronunciamento de Dilma, que defendeu tratamento para dependentes, desde que atendendo a certos protocolos clínicos e de acompanhamento psicológico, como já fizera o ministro Alexandre Padilha.

Assessores da presidente comemoraram o resultado. Avaliações colhidas a quente pelo blog foram de que a fala foi “vigorosa”, e que Dilma retomou a pauta da “faxina” ao dizer que o governo não se “acumplicia com o malfeito” e que não tolera corrupção.

Dilma falou por quase 10 minutos. No 7 de Setembro de 2010, seu último pronunciamento da Independência, Lula foi bem mais modesto: usou a rede nacional por 3 min 43 seg.

A presidente também inovou na forma: trocou a contagem regressiva por uma abertura em que as letras da palavra “Brasil” saltam uma a uma na tela.

A vetusta biblioteca do Alvorada deu lugar a uma sala ampla, com esculturas desfocadas ao fundo. E o brasão da República apareceu grande, ao lado do nome de Dilma e da forma como ela faz questão de ser chamada: “presidenta da República”.

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