“De fininho”, suplente de Demóstenes toma posse no Senado

Suplente do senador cassado Demóstenes Torres, Wilder Pedro de Morais (DEM-GO) tomou posse nesta sexta-feira (13) no Senado para assumir o mandato deixado vago com a cassação do ex-líder do DEM.

Ele chegou de surpresa, surpreendendo inclusive os três senadores que estavam na Casa. A cerimônia de posse durou menos de cinco minutos.

Pouco antes de tomar posse, Wilder telefonou para integrantes da Mesa Diretora do Senado comunicando que estava em Brasília e queria ser empossado.

Entrou no plenário esvaziado no início da sessão desta sexta-feira e foi empossado como senador por Ciro Nogueira (PP-PI), que estava ocupando a presidência do Senado.

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“Prometo guardar a Constituição Federal e as leis do país, desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador que o povo me conferiu e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, disse em um rápido juramento de posse.

A estratégia de Wilder permitiu que o novo senador fugisse do cerco da imprensa, uma vez que assume o mandato sob a suspeita de ter sido indicado para a suplência de Demóstenes pelo empresário Carlos Cachoeira. Logo depois de ser empossado, deixou o Senado discretamente.

O novo senador tinha até 60 dias para tomar posse, mas assumiu o cargo 24 horas depois da cassação de Demóstenes ser publicada no “Diário Oficial” do Senado.

Wilder terá seis anos e meio de mandato, o que restava para ser concluído pelo ex-senador.

Reportagem da Folha de São Paulo publicada ontem revela que Wilder foi indicado para o posto por Cachoeira, a quem chamava de “Vossa Excelência”.

O empresário relembrou a Wilder o papel que teve na sua ascensão política em uma longa conversa por telefone, em junho de 2011. Ela ocorreu no auge de uma crise gerada pelo envolvimento de Cachoeira com a então mulher do suplente, Andressa Mendonça.

“Eu não vou expor você, cara. Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu, você sabe muito bem disso. Então, para que eu vou te expor?”, afirma Cachoeira na conversa interceptada pela Polícia Federal. Wilder concorda e indica ter gratidão por Cachoeira.

Pelo Twitter, o novo senador afirmou que o áudio que flagra sua conversa é um “fragmento” que não corresponde com a realidade dos fatos. Ele disse que, se a íntegra da conversa tivesse sido divulgada pela Polícia Federal, ficaria comprovado que a “interpretação dos fatos seria outra”.

PERFIL

Wilder Pedro de Morais tem 44 anos e foi casado por oito anos com Andressa Mendonça, com quem tem dois filhos. Ela agora é mulher de Cachoeira.

Quando foi indicado para a suplência de Demóstenes, em 2010, Wilder era um neófito na política. Nunca tinha ocupado cargo público. Filiou-se ao DEM em julho de 2009.

Com a eleição de Marconi Perillo ao governo de Goiás, foi nomeado secretário estadual de Infraestrutura, cargo em que permanece até hoje.

Sua atuação sempre se deu na iniciativa privada, principalmente por meio da construtora Orca, criada em 1998. A empresa foi a terceira maior doadora da campanha de Demóstenes, com uma contribuição total de R$ 700 mil.

À Justiça Eleitoral, Wilder declarou um patrimônio de R$ 14,4 milhões.

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