Delúbio dirá a STF que não houve compra de deputado

O advogado de Delúbio Soares afirmará em sua defesa no julgamento da ação penal do mensalão que o ex-tesoureiro nacional do PT repassou dinheiro de caixa dois eleitoral para deputados e partidos políticos, mas não cometeu o crime de corrupção.

O julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal começa no dia 2 de agosto.

“Delúbio nunca se furtou a ser responsabilizado por aquilo que fez. O que ele não aceita é ser acusado por aquilo que ele não fez”, afirmou o advogado Arnaldo Malheiros Filho.

“O que ele não fez foi corromper deputados. O que ele fez foi dar dinheiro de caixa dois para campanhas políticos”, disse o defensor.

No auge do escândalo, Delúbio foi expulso do PT, mas voltou à sigla em 2011.

JULGAMENTO

O advogado dele deve ser o terceiro a se manifestar entre os advogados dos 38 réus que são acusados no caso. Cada defensor terá uma hora para falar aos 11 ministros do STF, na etapa chamada de “sustentação oral”.

Delúbio é acusado de dois crimes: corrupção ativa e formação de quadrilha. A estratégia da defesa é assumir tudo como um desvio de natureza eleitoral. Como Delúbio não foi acusado por crime eleitoral pela Procuradoria -Geral da República, ele não pode ser julgado por isso.

Em síntese, a defesa do ex-tesoureiro defenderá que não existe relação entre os pagamentos feitos aos deputados federais pelo esquema do “valerioduto”, montado com as empresas do publicitário mineiro Marcos Valério de Souza, e os resultados de votações ou atos parlamentares em benefício de Delúbio ou do governo federal.

A argumentação vai na mesma linha de peças já entregues pela defesa ao STF.

DÍVIDAS

Em suas alegações finais, um documento de 135 páginas que condensa os argumentos da defesa, Malheiros Filho diz que o dinheiro repassado ao Diretório Nacional do PT pelo “valerioduto” foi para a quitação de dívidas eleitorais de partidos da base aliada do governo.

Quase todos os débitos teriam sido contraídos durante a campanha que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

“Sem condições ou perspectiva de conseguir quitar as dívidas, os diretórios estaduais procuravam o Diretório Nacional do PT. Na qualidade de Secretário de Finanças, o peticionário [Delúbio] era frequentemente demandado a fim de que buscasse uma solução para o pagamento das dívidas”, diz um trecho do documento.

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