Aécio Neves diz, em discurso, que o PSDB está unido como nunca

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aecioO senador Aécio Neves (MG) foi eleito presidente nacional do PSDB por 521 dos 535 votos dos  delegados presentes à convenção nacional do partido realizada neste sábado, em  Brasília, em cenário de largada da sua pré-candidatura à Presidência da  República.

“Não assumo um partido esfacelado. O PSDB está unido como nunca”, disse em  seu discurso, atribuindo a aparente coesão ao trabalho do deputado Sérgio Guerra  (PE), seu antecessor, que assumiu a presidência do Instituto Teotonio Vilela  (ITV).

Em busca de unir o partido, Aécio negociou até a noite anterior a composição  da nova Comissão Executiva Nacional, para acomodar as forças da sigla. O segundo  cargo mais importante, de secretário-geral, ficou com o deputado Mendes Thame  (SP), ligado ao ex-governador José Serra e ao governador de São Paulo, Geraldo  Alckmin. Ao chegar à convenção, Thame disse que a união do partido é um “processo” e que o  candidato a presidente tem que ser escolhido por todo o partido e em alguns  meses.

A novidade da executiva será um colegiado de seis vice-presidentes, composto  por: ex-governadores Tasso Jereissati (CE) e Alberto Goldman (SP), senadores  Cássio Cunha Lima (PB), Cyro Miranda (GO) e Álvaro Dias e deputado Bruno Araújo  (PE). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador José Serra – que chegou separado, um pouco depois das principais lideranças nacionais – e os  governadores tucanos participaram da convenção.

Aécio criticou o PT, “que se encastelou no Estado e colocou o Estado a  serviço do partido e de seu projeto de poder, invertendo a lógica” e afirmou  que, no momento certo, o PSDB vai apresentar um “projeto alternativo” ao do  governo petista.

O senador mineiro disse ser “cedo” para tratar da campanha à eleição  presidencial, mas fez um apelo para que as forças de oposição estejam unidas. “Nossa história vai recomeçar. E só terá êxito se for feita a várias mãos”, afirmou, dirigindo-se aos presidentes do DEM, José Agripino (RN), e do MD (fusão  do PPS com o PMN), deputado Roberto Freire (PE).

Como presidente nacional do PSDB, Aécio contará com toda a estrutura  logística do partido para viajar e se tornar conhecido, além de ganhar um papel  institucional para fazer o contraponto ao governo Dilma Rousseff. A atuação no  Senado é considerada insatisfatória para garantir esse espaço a ele.

Embora a maioria do PSDB esteja unida em torno do nome de Aécio para disputar  o Planalto em 2014, os tucanos de São Paulo e outros, próximos de Serra, que já  disputou duas vezes, se mostram cautelosos e dizem que é cedo para definição de  candidaturas. A maior parte dos oradores, no entanto, foi explícita na defesa da  escolha do senador.

Serra não fez referência à pré-candidatura de Aécio a presidente, mas assumiu  compromisso de trabalhar pela convergência e unidade das forças de oposição em  2014. “O PSDB tem a missão de contribuir para aglutinar e organizar o conjunto  das forças sociais e políticas da resistência democrática”, disse. Num recado  interno, disse que vai trabalhar “com clareza e sem ambiguidade”. Afirmou,  ainda, não ter “porta-vozes ou intérpretes”. “Quem quiser saber o que penso  tem só uma fonte confiável: eu mesmo. E conto com lealdade recíproca”, afirmou.

Fernando Henrique Cardoso foi recebido e saudado pelos presentes como a  liderança mais importante do partido. Ele foi ovacionado ao discursar, em tom  quase de desabafo, ao se referir ao fato de que o governo hoje recorre a medidas  que ele adotou em seu governo, como as privatizações, tão criticadas pelo PT.  Acusou o PT de jogar sua história na “lata de lixo” e se referiu a críticos de  seu governo como “gnomos morais, gente que não tem qualificações”.

Entre os paulistas, o discurso mais simpático a Aécio foi o do governador do  Estado, Geraldo Alckmin. O governador citou o fato de Aécio ser conhecido como  um dos mineiros mais cariocas que mineiro, por estar sempre no Rio, e que ele  próprio era visto como o mais mineiro dos paulistas. “Se o Aécio quiser, será o  mais paulista dos mineiros”, disse. Alckmin, no entanto, também não se referiu à  candidatura presidencial do senador mineiro, apenas a sua eleição para  presidente do PSDB.

O discurso mais radical foi o do governador Marconi Perillo (GO), que, sem  citar nome, chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “o maior canalha  deste país”. Reiterou que avisou Lula da existência de “mesada” em seu governo  para comprar deputados.

O prefeito de Manaus, Artur Virgílio, falando em nome dos prefeitos, fez o  discurso mais longo, no qual revelou insatisfação com a ênfase do discurso  paulista que marca o PSDB. “Nós temos que aprender que o partido será tão mais  exitoso quanto mais compreender e olhar as periferias do Brasil”.

Com relação à eleição de 2014, Virgílio disse que, dessa vez, “não basta o  vice-campeonato”. Para vencer a disputa, disse, é preciso “unidade verdadeira,  generosidade e desprendimento de cada companheiro”.

A produção do encontro tucano esteve sob os cuidados do marqueteiro Renato  Vasconcelos: um telão em formato panorâmico, no qual, durante a execução do hino  nacional, exibia imagens da história recente do país: da campanha das diretas já  ao plano real, passando pelo impeachment de Fernando Collor. A disposição do  palco, em formato de arena, teve a intenção de integrar líderes e  militantes.

 

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