Ministro diz que corrupção é ‘cultural’ no Brasil

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CORRUP~1Titular da Justiça, Cardozo afirma que País passa por processo ‘doloroso’ e critica cidadão que reclama dos políticos, mas comete ilícitos na vida privada

Brasília – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez recentemente duras críticas a “cultura social” brasileira, na qual “público e privado se misturam”, sugerindo que o comportamento da população está entre as “causas” da corrupção no País. De acordo com o ministro, a classe política é um “reflexo da sociedade” que, ao não distinguir o público e o privado, escolhe sem esse critério seus representantes “e depois os reprime sem olhar para si”.

As afirmações foram direcionadas aos que criticam os atos de corrupção da classe política, mas cometem ilícitos na vida privada. “O mesmo empresário que por vezes protesta, e com razão, dos desmandos dos nossos governantes é aquele que quando chega um fiscal de renda diz: ‘Bem, como podemos acertar isto?’”, criticou.

“Vivemos numa sociedade que até o síndico de prédio superfatura quando compra o capacho. E é o mesmo síndico que por vezes sai protestando dizendo ‘esses políticos’. Políticos eleitos por ele”, disse Cardozo, em evento da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Para o ministro da Justiça, pode-se dizer, ao mesmo tempo, que o Brasil vive e não vive uma República. As críticas dos brasileiros à corrupção entre os políticos, para Cardozo, são legítimas e a disseminação de práticas irregulares na sociedade não serve de desculpa para parlamentares e governantes que agem em desconformidade com a lei. “É evidente que temos que punir todos os corruptos, mas temos que atacar frontalmente as causas da corrupção.”

O ministro lembrou situações desde a chegada dos portugueses ao Brasil para apontar que o País tem um “histórico” que mostra que a distinção entre o público e o privado “não vem na nossa origem”. “Ainda vivemos sob o peso dos nossos mortos. E estamos tentando aliviá-lo.”

Cardozo defendeu o avanço na reforma política para superar os problemas atuais e disse ser favorável ao financiamento público de campanhas eleitorais. A forma atual do financiamento, para ele, é um ponto permanente de geração de corrupção. “Ou fazemos uma reforma política no Brasil ou continuaremos a conviver com uma mentalidade promíscua nas próximas décadas em relação a financiamento eleitoral e à forma na qual os nossos representantes são eleitos”, disse Cardozo.

Lava Jato

Na saída do evento, questionado sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga suspeita de corrupção e pagamento de propinas na Petrobrás, Cardozo defendeu um “equilíbrio” para que eventual punição das empreiteiras envolvidas na investigação não impeça a continuidade de obras públicas no País. “É fundamental que quem praticou atos ilícitos seja punido, mas ao mesmo tempo temos que fazer com que a economia do País não seja atingida”, disse.

Para o ministro, a legislação brasileira permite a possibilidade de combinar “sanções duras e rigorosas com o saneamento necessário para que a vida econômica não seja atingida”. Na semana passada, o advogado de um dos investigados chegou a dizer que não se faz obra pública no Brasil “sem acerto”

 

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