Fernando Henrique Cardoso rebate Dilma, diz que ‘corrupção não é uma senhora idosa’ e opina sobre o impeachment

governo-dilmaImpeachmentsenhora idosaQue o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não concorda com boa parte das coisas que aconteceram no Brasil nos últimos 12 anos, isso todo mundo sabe. Porém, em tempos de profunda crise política e econômica, ele não deixou de analisar e mandar alguns recados para a presidente Dilma Rousseff (PT). A começar pela afirmação da petista de que “a corrupção é uma senhora idosa”.

“Isso é um fato novo. Essa corrupção não é uma senhora idosa, é uma mocinha, um bebê quase”, disse FHC, em entrevista ao jornalista Mario Sergio Conti no programa Diálogos, na GloboNews. “Eu tenho a impressão que a presidente, todo o partido dela e quem orienta a propaganda e tudo mais, querem tapar o sol com a peneira. ‘O meu governo foi o que mais combateu a corrupção’, […] ‘a culpa é do Fernando Henrique’… Minha senhora, não é assim”.

Ainda na esteira da corrupção, FHC repetiu a declaração que tinha dado ao longo da semana de que, pela proporção que a corrupção ganhou na Petrobras, considera impossível que o ex-presidente Lula e Dilma não soubessem de nada, pois algo assim acaba sendo do conhecimento de todos no governo.

O ex-presidente argumentou que, em seu governo, a indicação política para cargos de diretoria na estatal, feita por partidos da base, era bem mais incomum. Ele se disse lembrar-se de duas indicações políticas – de José Coutinho Barbosa e do hoje senador petista, mas à época integrante do PMDB, Delcídio Amaral.

Crise política

Já no âmbito político, FHC alertou que o impeachment, diferentemente dos clamores por golpe militar de alguns grupos, é um instrumento da democracia. Na sua época no comando do País (entre 1994 e 2002), o tucano foi alvo de 17 pedidos de impeachment, todos arquivados pela Câmara dos Deputados. “Esse ‘Fora Dilma’ é como o ‘Fora FHC’”, avaliou.

Ele disse ainda esperar que a petista consiga concluir o mandato, embora isso dependa de vários fatores. “A Dilma hoje simboliza, é alvo dessa irritação. Mas não creio que seja transcrito em passos exatamente para tirá-la do poder. Vai depender da comprovação de delitos e da opinião pública (…). É um conglomerado de crises”.

E quanto aos pedidos de intervenção militar, vistos nos protestos do dia 15? “Eu não me amedronto com isso. Em muitos momentos da história, essa irritação é natural, mas não creio que isso vá prosperar, pois a sociedade brasileira está bem organizada”, disse.

Oportunidades perdidas

O tucano ainda afirmou que, ao contrário da rejeição que ele enfrentou, hoje o Brasil e o governo Dilma perderam não só popularidade, mas também credibilidade. “Continuei com apoio do Congresso, de setores econômicos”, afirmou FHC. O problema que está no colo da petista hoje, na análise do ex-presidente, começou ainda no governo Lula (2003-2010), com uma condução errada da matriz então estabelecida.

O tucano afirmou que nos anos iniciais da crise internacional – 2008 e 2009 – o governo Lula soube aplicar medidas anticíclicas, com maior oferta de crédito e estímulo ao consumo, de forma adequada, mas que isso avançou para uma dosagem errada no governo Dilma. “Quando houve essa sensação de que, com crédito, faço o que eu quiser, começou a haver frouxidão nas contas públicas. O BNDES também, usado como alavanca do crescimento, além do limite, começou a dar confusão”, disse FHC.

O líder do PSDB ainda comentou que há uma série de problemas na condução de setores estratégicos, como o de energia, e que o Brasil perdeu boas oportunidades de impulsionar a sua economia na década passada, por uma visão ‘soviética’ das coisas. “Me dói como brasileiro, ver a perda de oportunidades históricas e a responsabilidade é do partido que está no poder, sem dúvida”, concluiu.

(Com Estadão Conteúdo)

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