Base e oposição definem estratégias para a ‘batalha do impeachment’

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Com fim do recesso, processo será retomado no Congresso. Governistas vão defender tese do ‘golpe’; oposição quer ‘pressão das ruas’.

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Em trincheiras opostas, integrantes da base governista e da oposição têm aproveitado o recesso legislativo para definir as estratégias que serão colocadas em prática, em fevereiro, na retomada do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Aliados da presidente pretendem criar uma espécie de “guerrilha virtual” para carimbar de “golpe” a tentativa de afastá-la do Palácio do Planalto. Oposicionistas querem atrair para as ruas insatisfeitos com a gestão petista.

A partir de fevereiro, com o fim das férias, os líderes partidários da Câmara dos Deputados devem indicar os representantes de cada legenda na comissão especial que analisará o processo de impeachment.

Em dezembro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por maioria, barrar a chapa alternativa que havia sido eleita com a presença de deputados que não haviam sido indicados pelas bancadas.

Dispostos a demonstrar que o pedido de afastamento não tem base jurídica, governistas apostarão, principalmente, nas redes sociais para difundir a ideia de que um “golpe” está em curso no país.

Segundo o vice-presidente nacional e secretário de Comunicação do PT, Alberto Cantalice, ao longo dos próximos meses o partido quer mobilizar militantes e simpatizantes por meio do Facebook, do Twitter e do site da sigla. A intenção dos dirigentes petistas é denunciar o que eles classificam de “golpismo” contra Dilma.

“Acredito que, apesar de a oposição não desistir do terceiro turno, esse movimento pelo impeachment, sem fundamento nenhum, tende a arrefecer. Mas, em todo caso, estaremos permanentemente explicando à população e mobilizando nossa militância e as demais forças progressistas para repudiarem o golpismo de ocasião”, disse Cantalice ao G1.

O discurso do “golpe” tem sido pregado tanto por ministros, dirigentes partidários, deputados e senadores aliados quanto pela própria chefe do Executivo federal.

Desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou, no início de dezembro, a abertura do processo de impeachment, Dilma já mencionou 12 vezes a palavra “golpe” em seus discursos.

Ela também usou 33 vezes suas manifestações públicas para pedir “respeito à democracia”, referindo-se ao processo de afastamento em curso no Congresso Nacional.

Nas últimas semanas, servidores da Presidência têm divulgado, por meio de correntes de e-mail, um documento no qual apresentam dez motivos que demonstrariam que o impeachment de Dilma é “insustentável”.

Outra tática dos governistas tem sido divulgar na internet os dias, horários e locais de manifestações agendadas para os próximos meses para defender o mandato da petista.

“Essa tese [do impeachment] esvaziou-se. Não há clima mais, e a sociedade percebeu que os autores desse processo agem com outros interesses. Agora, é intensificar o discurso, mostrar que não há fundamento jurídico, dizer que é golpe e não entrar no jogo da oposição para, então, virarmos essa página definitivamente”, reforçou o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

Para o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), os parlamentares governistas leais ao Planalto devem bater na tecla de que o eventual impeachment de Dilma se trata de um “golpe”.

“Se a votação na Câmara fosse hoje, a tese do impeachment sairia derrotada, com certeza. Fica cada vez mais claro isso, tanto que não houve mobilização popular nos últimos dias. O que ocorreu em dezembro foi uma manifestação pelo país de pessoas que já eram contrárias ao governo”, avaliou o líder peemedebista ao G1.

Pressão das ruas
Para pressionar os deputados a votarem a favor do impeachment, líderes da oposição traçaram um planejamento durante o recesso para mobilizar nas ruas a fatia da população que quer a saída de Dilma da Presidência da República.

Na volta das férias, oposicionistas e dissidentes da base aliada pretendem mobilizar empresários, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais para garantir “pressão das ruas” sobre o Congresso Nacional.

Outra proposta traçada pelos oposicionistas é a de promover um intenso “corpo a corpo” sobre os parlamentares que ainda não decidiram como se posicionar diante do impeachment.

Líderes oposicionistas argumentam que é preciso que a sociedade se manifeste favoravelmente ao processo de impeachment para que o Congresso vote pela destituição de Dilma.

Presidente do partido Solidariedade e um dos aliados mais próximos de Cunha, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), defende a criação de um “comitê de impeachment” para pressionar o Legislativo.

“Eu acho que a gente tem de fazer duas coisas: conversar com os parlamentares para assegurar os 342 votos e aumentar a mobilização nas ruas. Um dos problemas que a gente vem enfrentando é essa questão das ruas. […] Nós pautamos a Câmara a falar do impeachment, mas nos esquecemos da população. Se houver mobilização das ruas, haverá pressão sobre o Congresso. Essa é a lógica”, ressaltou Paulinho.

Na avaliação do líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), para que haja “pressão forte” das ruas sobre o Congresso é preciso que a oposição mostre à sociedade que os fatos relacionados à crise econômica que o Brasil enfrenta e os desdobramentos da Operação Lava Jato estão diretamente relacionados ao governo Dilma.

“Se houver pressão das ruas e uma sincronia muito forte da sociedade com o Congresso Nacional a favor do impeachment, certamente os protestos vão ser retomados e os elementos necessários para o impeachment acontecerão”, enfatizou.

“Toda vez que ela se pronuncia e fica dizendo que é golpe, a reação é mais forte da população contra a presença dela no governo. Ano passado, ela até deixou de fazer pronunciamento com medo de panelaço. Isso tudo é resultado das crise econômica, política e ética que o governo dela criou para o Brasil”, destacou ao G1 o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

Viagens presidenciais

Além de disseminar a tese do golpe na internet e em discursos públicos, Dilma Rousseff deve intensificar as viagens pelo país para tentar recuperar a popularidade.

A estratégia já começou a ser colocada em prática em dezembro, quando a presidente visitou Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. No mesmo mês, esteve em eventos publicos em Brasília.

“É evidente que a presidente está atenta ao assunto do impeachment, mas sabe também que a economia exige muito dela neste momento. O país, como um todo, quer mais resultados, e ela precisa reagir. Uma forma é viajar pelo Brasil, inaugurar obras, visitar obras e mostrar que o governo não está parado”, afirmou ao G1 o líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF).

Fonte.: G1

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