Retratos do poder – Itamar Franco

Itamar Franco, um presidente mineiro que o Brasil não pode esquecer!

A lembrança do primeiro aniversário de morte de Itamar Franco foi prestigiada com a presença, no Rio de Janeiro, de toda a diretoria da Cemig, inclusive de seu presidente, Djalma Morais, em retribuição à postura nacionalista e firme do mineiro, que,  quando governador de Minas Gerais, se opôs bravamente à privatização de Furnas. Seu gesto de verdadeiro estadista foi lembrado durante a inauguração de seu busto de bronze, ontem, no hall de entrada do emblemático Edifício Edison Passos, prédio sede do Clube de Engenharia, no Centro do Rio, pois Itamar Franco foi o primeiro e até hoje o único engenheiro deste país a ocupar a Presidência da República. Homenagem mais do que merecida…

Itamar foi um político de fato, e não desses politiqueiros de ocasião, em busca do fogo fátuo dos holofotes, com data marcada das vésperas de eleições para se mostrarem, quando estão sempre a postos para fotos e sorrisos, e nos demais meses somem do mapa, ninguém consegue encontrar nem com luneta. Era um patriota, que tomava suas decisões, certas, erradas ou questionáveis, a partir de princípios e convicções, em nome do bem público, e não de oportunismos e ambições pessoais. Infelizmente a História, quando é escrita, é com linhas tortas, e iguala o trigo ao joio. Ou pior: muitas vezes exalta o joio e relega o trigo…

O que, porém, no caso de Itamar Franco, não há de acontecer. Pois seus conterrâneos mineiros não deixam. E seus pares do Clube de Engenharia também não!…

 

Augusto Franco, irmão do ex-presidente Itamar Franco

Celso Franco ao fundo, Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, Jaques Sherique e Augusto Franco

Djalma Morais, presidente da Cemig, e Marcelo Siqueira

O busto de Itamar Franco

 

Djalma Morais, Yara Nagle e Celso Franco

 

Alice Tamborindeguy com Claudio Aboim ao fundo

Fotos de Sebastião Marinho

 

Livro sobre Itamar Franco lançado na ABL

Numa das salas especiais da Academia Brasileira de Letras (Av. Presidente Wilson, 203 – Castelo), no centro do Rio, das 17h30 às 20h, do dia 30 de setembro de 2011, houve o lançamento de “Itamar Franco, homem público democrata e republicano”, livro organizado pelo jornalista Francisco Inácio de Almeida e pelo historiador Ivan Alves Filho.

 

O mais novo imortal da ABL, jornalista Merval Pereira, assim como a deputada Aspásia Camargo, a economista Míriam Leitão, o ex-deputado Fernando Gabeira, a comentarista Lúcia Hipólito (da CBN e da GloboNews), o jornalista Mauricio Azedo (presidente da ABI), o cientista político Carlos Peçanha e o sociólogo Paulo Baía (ambos da UFRJ), o jornalista Mauro Santayana, o professor Raimundo Santos (da UFRRJ), o jornalista Fernando Molica (de O Dia), o comentarista Flávio Freire (de O Globo), o jornalista Jânio de Freitas (da Folha de S. Paulo), a socióloga Denise Paiva, autores de artigos ou declarações inseridos na obra,  são convidados especiais deste evento da Fundação Astrojildo Pereira.
Esta publicação é uma síntese do mundo de declarações, de discursos, de artigos, de notas e de outros tipos de manifestações públicas, feitas por autoridades dos vários Poderes da República, em suas várias instâncias, por governos e instituições estrangeiras, por personalidades políticas de partidos os mais diversos e de concepções ideológicas as mais variadas, por organizações e líderes da sociedade civil, por intelectuais e acadêmicos, por periódicos e jornalistas. O livro retrata Itamar Franco desde a Prefeitura de Juiz de Fora, passando pelo Governo de Minas Gerais e pela Presidência da República, sem falar nos seus mandatos como senador, em cerca de 40 anos de vida pública, cujo ápice foi quando se impôs com uma prática de gestão que assegurou a governabilidade do país, após uma crise institucional extraordinária (a do o impeachment  do presidente Collor). Em toda sua trajetória, ele foi decididamente um singular defensor dos interesses públicos, sempre ao lado das forças democráticas e reformistas,
Trata-se não apenas de uma homenagem a uma pessoa que fará falta ao Brasil, reconhecido que é como um exemplo de cidadão simples e sem afetação (daí a sua marca da impessoalidade do poder), de democrata de palavra e ação, de republicano sem rabo preso, de um comportamento ético irrepreensível (nunca admitiu qualquer tipo de beneficiamento pessoal político para si ou para seus familiares, nem para qualquer pessoa, e muito menos a corrupção), mas também se trata de um pequeno contributo à história nacional ao reunir opiniões expressas nos mais diversos veículos de comunicação e de uma forma dispersa e fácil de perder-se nas brumas do tempo.

Avenida Presidente Itamar Franco é inaugurada em Juiz de Fora (MG)

A Avenida Presidente Itamar Franco começou a receber as placas com a nova identificação na tarde desta sexta-feira, 25. As equipes da empresa contratada pela Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) substituíram a sinalização nas quatro esquinas da via com a Avenida Barão do Rio Branco. Outra equipe implantou sete novas placas no trecho final da Presidente Itamar Franco, próximo à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

De acordo com o cronograma, os profissionais voltam a implantar a sinalização na próxima quarta-feira, 30, na região da Curva do Lacet. De início, estão sendo substituídas as placas que identificam os cruzamentos, para, depois, serem trocadas as que ficam fixadas em paredes. Ao todo, serão implantadas 161 novas placas, sendo 89 do primeiro tipo e 72 do segundo. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até o fim da próxima semana.

A mudança do nome da Avenida Independência para Avenida Presidente Itamar Franco foi possibilitada graças à publicação da Lei 12.371, de autoria do Executivo. A escolha da via para ser objeto de homenagem ao político juiz-forano se deve ao fato de ele ter sido o responsável pela abertura deste que é um dos principais corredores da cidade, criado a partir da canalização do Córrego Independência.

Na legenda da placa está escrito “Antiga Avenida Independência”. A opção de utilizar esta escrita se baseia em dois pontos. Primeiro para orientar a população, e, também, porque o nome da rua já identifica quem foi Itamar Franco.

*Informações com a Secretaria de Comunicação Social, pelos telefones 3690-7245 / 7599.

*SECRETARIA DE TRANSPORTE

A lei municipal nº 12.371, realizada numa iniciativa do Poder Executivo de Juíz de Fora (MG), alterou o nome da avenida Independência para avenida Presidente Itamar Franco, desde a última terça-feira, 4.

A mudança, aprovada pela Câmara Municipal de Juíz de Fora e sancionada pelo prefeito Custódio Mattos, visa homenagear o político, que, enquanto ocupou seu primeiro mandato na prefeitura do município, entre 1967 e 1970, foi responsável pela construção da avenida – uma das principais vias da cidade.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Transportes e Trânsito, o  pedido para a alteração de nome ocorreu após a morte do ex-presidente da República, em 2 de julho. E, desde então, ele tramitava no Legislativo.

Ainda segundo a Secretaria, as mudanças das placas de trânsito com a  indicação do novo nome serão realizadas até o final deste mês. O Código  de Endereçamento Postal (CEP) não sofreu alteração.

Após morte de Itamar, Plano Real pode aparecer no vestibular

Em 1994, Itamar Franco comemorou o retorno na produção do popular Fusca no Brasil –  Foto: AFP
O político responsável pelo Plano Real e pela volta do Fusca.
É assim que o ex-presidente e senador de Minas Gerais Itamar Franco, morto no dia 2 de julho deste ano, deverá ser lembrado no vestibular,
aposta o professor de história do Curso Apogeu, de Curitiba (PR), Marcio Santos. O plano político-econômico que conseguiu controlar a superinflação dos anos 1980 e 1990 e uma medida que estimulou a indústria automobilística a fabricar carros populares são, para o professor, os fatos mais marcantes da trajetória de Itamar.

»De Bin Laden a usinas nucleares; confira temas dos vestibulares

Mesmo que os créditos pela formatação do Plano Real recaiam também sobre  o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ministro da fazenda de Itamar, o fato do plano ter sido implantado durante a sua presidência não escapará às provas. “Depois de sucessivas tentativas de conter a inflação como o Plano Cruzado e o Plano Collor, realizados durante os governos de José Sarney e de Fernando Collor de Mello, Itamar chama para  ministro da fazenda o então senador Fernando Henrique Cardoso, criador do real e que deu estabilidade ao País”, explica o professor. Lançado em  1993, o plano baseava-se em três pontos: equilíbrio das contas públicas, com redução de despesas e aumento de receitas, criação da Unidade Real de Valor (URV), que indexava os preços a partir do
lançamento do plano e a criação da nova moeda, chamada real, em vigor até os dias de hoje.

A indústria de bens duráveis também sofreu um fomento bastante grande durante a presidência de Itamar. O incentivo pode ser usado como cenário para uma questão sobre o desenvolvimento do setor no País. Para o  professor, “Itamar Franco foi o responsável pela volta do velho Fusca, alegando que todos os brasileiros teriam direito a um carro. Apesar de ter fracassado, a ideia serviu para a indústria automobilística nacional  investir em uma nova geração de carros populares”, diz Santos.

As heranças políticas de Itamar também podem ser cobradas, ainda que apenas nos vestibulares de Minas Gerais. “Se considerarmos vestibulares regionais, é possível que algo seja cobrado sobre sua biografia, salientando aspectos biográficos como o fato de ter sido prefeito de Juiz de Fora, senador e governador de Minas”, lembra o professor. Sua chegada à presidência, cargo que assumiu após o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, é uma  grande candidata a figurar entre as questões. O plebiscito para
escolher o regime institucional do País, realizado um ano depois, ainda no governo Itamar, também pode parecer nas provas. Na oportunidade, a população preferiu manter o sistema presidencialista, derrotando as propostas do parlamentarismo e da monarquia.

Abordagens mais sistemáticas também podem ser feitas. “Acredito que o governo de Itamar Franco pode cair dentro do contexto da Nova República, que compreende a redemocratização do Brasil até nossos dias”,  afirma Santos.  Para o professor, o ex-presidente pode ser relacionado a  políticos imediatamente anteriores e posteriores a ele: “tanto Collor quanto Itamar e Fernando Henrique foram presidentes que ajudaram na implantação do modelo neoliberal – apesar de Itamar ter se voltado mais para as questões internas -, marcado pela abertura do Brasil ao capital internacional e multinacionais e pelas privatizações de estatais”, completa.

Morre o senador e ex-presidente Itamar Franco aos 81 anos

SÃO PAULO – O senador e ex-presidente Itamar Franco morreu neste sábado, aos 81 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Ele foi diagnosticado com leucemia e estava internado desde o dia 21 de  maio. Na sexta-feira, o estado de saúde do ex- presidente piorou e foi levado para a UTI, com pneumonia grave.

Itamar Augusto Cautiero Franco talvez seja o único mineiro que tenha nascido em alto-mar. Foi em junho de 1930, quando sua mãe viajava em um navio do Rio de Janeiro para Salvador e por isso foi obrigada a registrar o filho na capital
baiana. No ano seguinte, o “erro” seria corrigido com o registro da certidão de batismo, que traz Juiz de Fora como sua verdadeira terra natal.

Na cidade mais importante da Zona da Mata mineira Itamar viveu a infância e a juventude ao lado da maior parte de sua família, mas órfão do pai, que morreu antes que ele nascesse. Descendente de italianos, a mãe Itália Cautieiro passou um dobrado para manter a família com a venda  de marmitas. Ela morreu em 1992, vinte dias antes da posse oficial do filho caçula como presidente da República do Brasil. Mas essa é outra história.

Itamar gostava de jogar basquete. No fim da adolescência, escolheu seguir a profissão do pai e formou-se em Engenharia Civil e Eletrotécnica na Universidade Federal de Juiz de Fora. No entanto, a militância estudantil no Diretório Acadêmico foi mais prolífica do que a  lida com planilhas e cálculos, ainda que no início da carreira o tino para a política tão parecesse algo tão definitivo: aos 28 anos candidatou-se a vereador pelo PTB e perdeu as eleições. O mesmo ocorreu quatro anos depois, quando tentou ser vice-prefeito.

Por ser amigo do governador mineiro Magalhães Pinto, sobreviveu ao golpe de 1964 e não foi cassado, como ocorreu com a maior parte dos colegas do PTB. A primeira vitória chegaria em pouco tempo. Filiado ao MDB, foi escolhido prefeito de Juiz de Fora em 1966, feito que se repetiria em 1972, ao ser reeleito. Como administrador da sua cidade de coração, dividiu a experiência de poder com figuras que vinte anos depois escolheria para ocupar cargos chaves no Planalto Central, como o professor Murilo Hingel (futuro ministro da educação), Mauro Durante (futuro secretário-geral), Djalma Moraes (Comunicações), Alexis Stepanenko (Planejamento) e a família de Henrique Hargreaves (Casa Civil). No governo federal, formariam juntos o núcleo daquela que viria a  ser conhecida conhecida como a República de Juiz de Fora, ou República do Pão de Queijo. Mas ainda chegaremos lá.

Itamar Franco era daqueles tipos de líder que não se isolam na hora de tomar decisões – no seu caso, quase todas cheias de suspense e emoção. Preferia estar cercado por colaboradores e mantinha o hábito de consultar pessoas simples – do garçom do cafezinho à faxineira – para arejar a mente ao ser desafiado a tomar medidas complexas. Já era assim em 1974, quando exercia o segundo mandato como prefeito e decidiu renunciar para concorrer ao Senado pelo mesmo MDB. A decisão final só veio depois de ouvir a opinião do seu motorista, minutos antes do prazo.

– A vontade dele sempre prevalecia no final, apesar de ser um bom ouvinte e não ter vergonha de voltar atrás – lembra e contemporiza o fiel escudeiro Henrique Hargreaves.

Naquele tempo também era possível observar os primeiros sinais da estrela que carregaria por toda vida: algo que muitos chamariam de senso  de oportunidade, outros classificariam como pura sorte. As chances de vitória na disputa pelo Senado eram as mais remotas. O candidato natural  do MDB era Tancredo Neves, mas o mineiro temia perder para o candidato do partido do Regime Militar, a Arena, por isso lançou Itamar ao sacrifício. Na hora das urnas, a oposição surpreendeu em todo o Brasil. Itamar foi eleito por Minas e repetiu a dose em 1982, com o partido já renomeado como PMDB.

Perdeu o controle da legenda em Minas em 1986 e tentou o governo do Estado pelo PL. Mas foi derrotado por Newton Cardoso, justamente o candidato do PMDB. Voltou para o Senado e encerrou o mandato com a participação na Assembleia Constituinte de 1987 no currículo.

Desde a época em que era prefeito, Itamar gostava de dizer que se considerava um político de esquerda, embora pouquíssimas vezes tenha composto com os partidos mais tradicionais deste campo. Foi mais eficiente que os colegas na hora de reforçar a imagem de político com postura pública marcada pela seriedade e a austeridade. Surpreendeu a muitos correligionários quando aceitou ser vice candidato na chapa de Fernando Collor (PRB) à Presidência, em 1989. Mas era a única e melhor chance de alcançar o cargo máximo da República, o que viria a acontecer em pouco tempo.

O temperamento intempestivo do mineiro e do cabeça da chapa não poderia ter outro resultado: desde a campanha os dois se desentendiam com frequência e o clima não ficou melhor quando Collor assumiu o cargo.
Itamar sempre foi uma pessoa difícil de lidar. Não era vaidoso. Mas orgulhoso, sensível a críticas e muito agarrado às suas causas. Achava que era perseguição Collor escolher justamente a Usiminas na primeira etapa de um processo de privatização, ao qual se opunha inicialmente.
Quando contrariado, tremia até o topete (mantido desde a juventude e sem
adição de produtos de beleza, garantem os mais próximos).

 – Pode orgulhar-se a Nação capaz de dominar as suas mais graves crises políticas na ordem da Lei. Sábio é o povo que, na conquista e preservação de sua própria liberdade, expressa veemência no clamor das ruas e na serenidade de seus atos – discursou pela primeira vez na TV como presidente, às vésperas da passagem de 92 para 93.

Apesar da amplitude de apoio ao seu governo, o núcleo duro era mesmo formado pelos amigos do tempo de Juiz de Fora, somados a poucos parceiros da época do Senado, como Maurício Corrêa, que viria a ser nomeado ministro da Justiça. Não havia outro jeito, afinal, conhecia pouca gente no Rio ou São Paulo, e não tinha canais com o mundo acadêmico, empresarial ou sindical. Até mesmo no mundo político sua base era considerada precária e pouco capilarizada. Ainda assim Itamar foi hábil suficiente para garantir a estabilidade política do país depois do maior escândalo político da vida nacional.

O núcleo estava sempre por perto e o aconselhava, mas não foi capaz de evitar um dos episódios mais curiosos do período. Com o suspeito argumento de que o último presidente a participar do carnaval teria sido Hermes da Fonseca, em 1913, Itamar partiu para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em fevereiro de 1994, onde protagonizou cena inesquecível ao lado da “modelo” cearense Lilian Ramos, de 27 anos. O encontro ficou famoso por causa de uma ausência: a calcinha da jovem com quem sambou, trocou palavras de pé de ouvido e até telefones. Jantariam na noite seguinte, se a imagem do presidente da República em flerte explícito com uma mulher seminua não tivesse rodado o mundo e instalado uma crise que, no fim das contas, só serviu para encerrar abruptamente o romance.

No seu governo a população participou do plebiscito que reafirmou a escolha do regime presidencialista para o país. Promoveu o fim da hiperinflação (que chegava a 1.100% em 1992) ao executar o Plano Real. A medida foi gestada por quase um ano por um grupo de economistas e colocado a cabo pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, indicado por Itamar para o Ministério da Fazenda. O plano garantiu a normalização da atividade econômica e permitiria, e nos anos seguintes, a retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Esta conquista sempre foi até o fim da vida o seu maior motivo de orgulho. Itamar Franco morreu hoje, dia 02 de julho. Deixa duas filhas e dois netos.

Itamar é internado em SP para tratar leucemia

O senador e ex-presidente da República Itamar Franco (PPS-MG), 80, está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratar uma leucemia descoberta na semana passada.

Segundo a assessoria do ex-presidente, Itamar foi diagnosticado com a doença há uma semana ao realizar exames devido a uma forte gripe.

O senador pediu afastamento de suas atividades no Senado por 30 dias para tratar a doença.

 
Itamar Franco é internado em SP para tratar leucemia
senador e ex-presidente da República Itamar Franco

Boletim médico divulgado hoje pela assessoria do senador afirma que Itamar está internado no centro de hematologia e oncologia do hospital, na unidade Morumbi, desde o último sábado (21).

Assinado pelos médicos Nelson Hamerschlak e Oscar Fernando Pavão dos Santos, o boletim diz que o senador vai realizar tratamento “a fim de alcançar a cura para a leucemia”.

Os médicos também afirmam que a doença foi diagnosticada “bem no seu início” e o paciente se sente “muito bem com todas as suas funções vitais normais”.

A expectativa, segundo os médicos, é que Itamar tenha alta “em breve” do hospital. O médico solicitou ao senador que se afaste por 30 dias do Senado, mas prometeu fazer “nova avaliação” depois desse período.

Pelo regimento do Senado, o suplente de Itamar só assume a cadeira do senador se ele se afastar por um período superior a 120 dias.

Itamar Franco assumiu a Presidência da República depois da catástrofe Fernando Collor (1990-1992), fez um governo absolutamente correto e ético, lançou um programa contra a fome comandado pelo sociólogo Betinho — não foi Lula, portanto, quem inventou a roda –, tinha como líder de seu governo no Senado um político chamado Pedro Simon (basta lembrar que o líder de Lula se chama Romero Jucá…).

Além disso, e principalmente, o presidente Itamar plantou a semente do Plano Real, pilotado por seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que acabou propiciando ao país os tempos de estabilidade financeira e baixa inflação que gerações de brasileiros desconheciam.

Tudo isso fez o bom mineiro Itamar, agora eleito senador pelo PPS por consagradora votação nas Minas Gerais do ex-governador e seu companheiro de chapa Aécio Neves (PSDB).

Mas… Itamar carrega para sempre uma mancha em sua biografia.

Como marcou a ferro e fogo, em 8 de fevereiro de 1994, o então chefe da sucursal de Zero Hora em Brasília, meu amigo e excelente jornalista Luiz Cláudio Cunha.

No seu artigo daquela terça-feira no jornal gaúcho, Cunha escrevia sobre uma morte ocorrida no sábado, três dias antes, e que Itamar lamenta até hoje.

Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho: o homem que disse não (foto acima)

A paulada começava pelo título: “Que vergonha, presidente Itamar!”

Convido os amigos do blog a lerem. É uma parte importante da história recente do Brasil que se recupera.

“Certas mortes nos dão a estranha compulsão de pensar nos vivos, especialmente nos muito vivos. A agonia final do bravo capitão da Aeronáutica Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o Sérgio Macaco, que morreu de câncer aos 63 anos, atrapalhando o sábado no Rio e a consciência do Brasil no domingo, acelera dramaticamente a degradação de algumas biografias comprometidas nas entranhas pelo germe da indecisão, amaldiçoadas pela marca da covardia, desbotadas pela carência de caráter.

O capitão Sérgio morreu pelo contraste com esta gente: era um militar decidido, corajoso e firme nas convicções. O filósofo Bertrand Russel definia o patriota como ‘o homem que sempre fala de morrer por seu país, nunca de matar por ele’. O capitão Sérgio foi o patriota que morreu porque se recusou a matar contra seu país.

Treinado para salvar vidas, líder idealista da tropa de elite do Para-Sar, a esquadrilha de busca e resgate da Aeronáutica, o capitão foi chamado por seus chefes, nos idos nervosos de 1968, para transformar sua esquadrilha de esperança numa máquina de morte. Um dos brigadeiros mais radicais da Força, o notório João Paulo Burnier, chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica, Márcio de Souza Mello, formou a tropa do Para-Sar e exigiu que ela desencadeasse o terrorismo de Estado que desembocaria, naquele ano, no AI-5.

O plano previa a explosão do Gasômetro, a central de gás encanado do Rio de Janeiro, ao lado da movimentada estação rodoviária, onde circulam dezenas de milhares de pessoas nas horas de pique. A culpa seria jogada sobre os comunistas e, com ela, a linha-dura teria o pretexto para dar o golpe.

O golpe foi adiado e as pessoas se salvaram porque o capitão, escolhendo a lealdade contra a hierarquia, ousou dizer não. Foi preso, foi expulso do Para-Sar, foi cassado em dezembro pelo mesmo AI-5 que ele abortou em junho. Absolvido pelo Superior Tribunal Militar, foi reformado pela Junta Militar do brigadeiro Souza Mello.

Em vez da medalha pelo gesto de heroísmo,  o capitão foi distinguido pelo desprezo dos maus companheiros de farda. Comandantes ilustres como os generais Cordeiro de Farias e Albuquerque Lima intercederam por ele, sem sucesso. O brigadeiro Eduardo Gomes, legenda da Força Aérea, chegou a mandar uma carta ao presidente Ernesto Geisel dizendo que não morreria em paz enquanto não fosse feita justiça ao capitão Sérgio.

O brigadeiro, como o capitão, morreu angustiado.

O regime militar acabou, mas não o ódio mortal dos nostálgicos da treva. Em plena democracia, o Supremo Tribunal Federal reconheceu os direitos do capitão e mandou a Aeronáutica promovê-lo a brigadeiro. O ministro da Aeronáutica, brigadeiro Lélio Lobo, solidário aos prepotentes do passado, ignorou a decisão da mais alta corte. O STF teve que mandar um raro ofício exigindo o cumprimento da lei e o brigadeiro Lobo, mais uma vez, reagiu. Transferiu o problema para seu comandante-em-chefe: o presidente da República.

Aí, ao melhor estilo Itamar Franco, a inércia do presidente deixou que o tempo — e o câncer — resolvessem a delicada questão. O capitão morreu e nós todos ficamos com a azeda sensação de que, mais triste do que um país necessitado de mitos, o Brasil é uma terra que maltrata os poucos heróis que tem.

Que vergonha, Presidente Itamar!”

A chegada de Itamar

Itamar Franco desembarca do automóvel presidencial nos jardins do Planalto às oito da manhã. 1992.
Como foi – Essa foto é uma das raras em que o então presidente Itamar Franco aparece cercado por assessores ao chegar para sua jornada de despachos. Era avesso à formalidade. Assim que assumiu a cadeira de Fernando Collor, teria, porém, que lidar com o rotineiro ritual do cerimonial. Depois desse dia aí determinou que somente dona Ruth Hargreaves – sua secretária particular – e um ajudante-de-ordens o fizessem, ao contrário de ser recebido pelo embaixador-chefe do serviço de Protocolo da Presidência, pelo ministro da Casa Civil, por oficiais graduados e outros servidores do Planalto

Viva o Fusca!

Que outro carro pode se orgulhar de voltar a ser feito devido a um presidente?

20 de janeiro é o Dia Nacional do Fusca. O carrinho da Volkswagen nunca foi um primor para se dirigir, mas sua robustez e, por que não dizer, seu design incomum caíram nas graças dos brasileiros. Foram mais de 3,3 milhões de unidades vendidas no País de 1959 a 1986 e depois, de 1993 a 1996 – este último período muito devido ao saudosismo do então presidente da República, Itamar Franco.

E mesmo quase 12 anos depois do fim de sua produção em São Bernardo do Campo, o Fusquinha continua sendo objeto de desejo de muita gente. Seja pelos colecionadores que procuram manter seus carros os mais originais possíveis, por donos que fazem dele um esportivo com motor bravo ou um charmoso conversível ou até por quem enxerga no besouro nada mais que uma solução barata para se locomover.

Comercialmente falando, o Gol, com mais de 5 milhões de exemplares vendidos desde 1980, já superou o Fusca há muito tempo no Brasil. E a quinta geração (na realidade, a terceira) do hatch, que está prestes a surgir, deverá manter as vendas em alta. Mas não acredito que um dia o Gol venha a ser tão adorado como o Fusca sempre foi.

Claro que há modelos altamente colecionáveis, como a série especial Copa, de 1982, e todos os esportivos: GT, GTS, GTI (em especial da primeira geração) e TS (versão obscura do Gol “bolinha”). Só que a aura de clássico do Fusca é algo que ultrapassa nossas fronteiras. Com uma história digna de roteiro de cinema e mais de 21 milhões de unidades vendidas mundialmente, ele é amado em todos os países e em todas as línguas. Enfim, parabéns a você, Fusca (ou Käfer, Beetle, Vocho, Bug…)!

Presidente do Conselho Administrativo do BDMG visita empresas da Cidade de Varginha-MG

Itamar Franco aproveitou a viagem para conhecer de perto a realidade de empresas como a Epcom e a Moretzsohn.

A pedido do Presidente da Câmara Municipal Luiz Antônio Bacha, o ex-Presidente da República Itamar Franco e atual Presidente do Conselho Administrativo do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) visitou empresas como a Epcom Eletrônica e a Moretzsohn Ferramentas, no dia 25 de setembro último. O intuito da Presidência da Câmara foi o de tentar levar a conhecimento do BDMG as dificuldades do mercado que pesam sobre empresários de Campanha e região, como a falta de linhas de créditos especiais e a abertura do mercado a produtos importados, que dificultam o livre comércio para empresas nacionais. A visita também foi acompanhada pelo Prefeito, à convite da Presidência da Câmara.

A primeira visita foi na empresa Epcom Eletrônica, com representantes da Diretoria e funcionários da linha de montagem. Com a Diretoria, funcionários aproveitaram para mostrar a realidade do setor e solicitar apoio ao BDMG para o fortalecimento da empresa junto ao mercado. Na linha de montagem, Itamar Franco conheceu todas as instalações do prédio e o processo de montagem dos computadores.

 Na empresa Moretzsohn, acompanhado de membros da Diretoria, o ex-presidente da República conheceu a Usina de Reciclagem montado pela empresa para produtos que poderiam estar sendo descartados no meio ambiente, mas que são reaproveitados – não poluindo o meio ambiente. Na montagem, o Presidente do Conselho Administrativo do BDMG conheceu a fabricação das ferramentas desde o início do processo produtivo até a embalagem do produto final, além de conversar com direção e gerência da empresa sobre a entrada, pelas fronteiras, de produtos importados, o que dificulta o comércio nacional, apesar da qualidade dos produtos brasileiros.

Durante a estadia na cidade, Itamar Franco ainda visitou a Catedral Diocesana de Santo Antônio e o Museu Regional do Sul de Minas, bens culturais de Campanha, importantes por sua história, beleza e acervo, acompanhado por vereadores e prefeito municipal.

Itamar Franco prometeu ao Presidente da Câmara verificar a possibilidade de apoio do BDMG às empresas locais e afirmou o grande potencial das empresas locais na geração de emprego e renda.

Para o Presidente da Câmara Luiz Antônio Bacha, a visita foi proveitosa para que os representantes das empresas pudessem ter um contato mais direto com um dos principais bancos de fomento de empresas e negócios de Minas Gerais.

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